segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O herói à casa torna...

Sim, passei um tempo longe daqui. Além deste lugar, fiquei londe de amigos, família, dEla e até de mim mesmo. Achei bem que seria fácil as coisas, a distância ajudar a diminuir o desejo, mas aumenta a saudade. E posso dizer bem, saudade é o desejo oculto de termos ao nosso lado quem está longe, quem é especial. Não posso dizer que esses dois meses não me fizeram crescer, mas ainda não foram o suficiente. Por isso, volto aqui, volto à casa que foi palco do que sou hoje, para, contar uma pequena história...
Em meio aos caminhos da vida, encontrei um garoto. Pequenino, incocente, a jovem criança tinha os cabelos anelados, a expressão meiga, sem maldade - coisa típica das crianças - mas, não era tão típica assim... A criança olhava incansavelmente para os lados, como que perdida. Parecia sozinha, e talvez se perdera dos pais, coisa estranha considerado que ainda era de manhã. Não resisti aos apelos do garoto, e fui ver o que podia fazer... Mas, será que podia fazer algo?

O garoto estava perdido mesmo, mas, dizia ele, perdido em si, sem saber bem o caminho de casa. Entre enfrentar os próprios desafios do meu dia, resolvi quebrar a rotina e ajudar o menino. Se ele me dissesse tudo o que sabia, talvez, achassemos sua casa, eu disse. Fomos nós dois a caminhar, andando sem rumo. O garoto começou me contando de sua família, que apesar de algumas piquinhas, permanecia únida, e sempre presente. Ele falava de carinho, de uma forma que eu não via mais nas pessoas, a cidade grande não dava tempo para perceber a importância que damos as pessoas.

Eu ouvia tudo o que o garoto dizia, e pensava no que se passava comigo, longe de meus pais e meus irmãos, não só deles, mas de toda a família. A saudade bateu forte nas lembranças de alguns momentos. Ele falou de sua casa, simples, mas aconchegante. Faltava muita coisa, inclusive espaço, mas era o seu lar... Poderia dizer que vivo num lugar bom mas que às vezes me sobra reclamações, um lar que eu insistia em deixar bagunçado por puro descaso.

Caminhavamos e o tempo parecia não passar, mas já era tarde. O "guri" já demonstrava um pouco de cansaço e, nesse momento, nem sei mais onde estavamos. Suas histórias me comoviam, e me faziam lembrar um pouco do que meus dezoito anos de vida representara... Tanto, que o menino foi falar de seus amigos, mas, suspirando, as palavras não saíam de sua boca. Me prostrei a carregá-lo nas costas, e era incrívelmente leve. Em meu ouvido, ele foi relatando as aventuras que passara, aqueles que conhecera, que na simplicidade da presença, se tornaram verdadeiros irmãos. Contou das risadas, das brincadeiras que fizeram e de umas e outras farras nas sextas. Sim, suas amigas também eram divertidas pelo que ele dizia, e me lembrava muito uma velha turma. Da escola, o garoto já tinha tentado fugir. Imaginei que ele tivesse até problemas de mau-criação, mas talvez, fosse um desejo de provar-se. Além do mais, no embalo da escola, o garoto seguia perseverante. Até o jeito que contava, sério, sem perder o bom humor, mostrava que ele tinha aproveitado todos. Mas ele sentia saudades, e vontade de ter curtido um pouco mais. Pensei comigo mesmo, se aproveitei tudo que pude em minhas épocas, e se, a faculdade, estava sendo minha verdadeira preocupação agora.

A parte que mais gostei da historias do garoto, foi de seus amores, um por ano. Uma dedicação silenciosa, uma expectativa grande, mas falta de coragem. Disse que ele tinha que ter atitude, quando eu mesmo, nunca fui um exemplo - o sujo falando do mal-lavado. Mas, sua história ficou mais picante quando contou do primeiro amor que teve, sim, crianças também amam. Mas, emocionado ficou, contado do último. Entre suspiros, e uma lágrima que escorregou de seu queixo, ele falou de sua ultima paixão. Uma Garota viva, que motivava-o cada dia mais a viver, a sentir, a se envolver. Que ensinara o verdadeiro significado da palavra amor nos pequenos e singulares gestos, e na amizade que os unia. O garoto abriu um sorriso, quando viu que eu gostara, e disse, que, apesar do que acontecera, passou com Ela a melhor fase de sua vida. Até parecia que aquele garotinho sabia muito sobre a vida para falar daquele jeito.

E caminho parecia não acabar, já anoitecerá e as ruas ficavam desertas... O garoto me disse que aquilo lhe assustava, a solidão da noite. Ele disse que a companhia das estrelas e da Lua era reconfortante mas, a presença de alguem era mais importante. Ele pediu que descesse, pois reencontrará sua casa. Olhei para o céu, e vi a lua cheia, visão que não tinha a muito tempo... Muito tempo, em meus sonhos... Na porta da casa do menino, nós dois, olhavamos para o céu, perdidos naquele brilho intenso da lua cheia. Perdidos em nós mesmos. O garoto apertou minha mão, com força, mas ao mesmo tempo, com delicadeza. Olhei para ele, e num sorriso, vi seu agradecimento. Em poucas palavras, ele disse, obrigado por não me deixar sozinho. Eu apenas sorri em retribuição. Ele me largou e correu para a casa.

Antes que entrasse, virou-se para mim, e disse: "Você ainda tem jeito garoto"

Não vi mais o garoto, apenas acordei de meu sonho. O significado daquelas palavras ficou em mim. Sem entrar em detalhes, o garoto me mostrou o que eu passara até ali. E me deu minha própria força de vontade de seguir adiante. 

Procure dentro de si, a força motivadora que te leve ao melhor que pode ser.

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